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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Paranóia

                       
Alguns afogam suas mágoas e o que resta de seus corações partidos em goles generosos de um Whisky barato. Já eu, mergulho elas em uma folha de papel em branco. Alguns bebem para esquecer. Já eu, escrevo para lembrar. Escrevo para tornar eterno na folha, um sentimento tão puro.

Não adianta esvaziar o copo, pois existe um vazio imensurável em meu peito esta noite. Um vazio que não se preenche com bebida, nem com qualquer outra coisa supérflua. Se preenche com amor. Aquele amor que não vem pra dilacerar, mas que vem com entusiasmo e te faz entrar em êxtase. 

O amor é um grito de socorro. Um grito silencioso, ouvido por poucos, sentido por muitos. Um grito corrompido na maioria das vezes. Um grito sufocado, agoniado, prestes a explodir e deixar ferimentos aos próximos. Ouvi dizer que o amor não faz sofrer, não derrama lágrimas e não destrói. Ora, o amor não machuca. Então por que tens medo dele?

O amor é uma saída, mas para isso você precisa saber interpretar o mapa dele. Não ache que será uma estrada reta, sem declive, sem complicações, sem paradas necessárias, sem curvas acentuadas. Terá tantos relevos, que por vezes serão irrelevantes, mas é inevitável. Para chegar ao fim, precisa começar pela estrada certa. E a estrada certa, muitas vezes não é uma das melhores. 

Não sofremos convulsões, e mesmo parecendo por vezes, levar uma facada no peito, não sangramos. Mas sofremos por dentro. Não podemos titubear em relação ao amor. Meu Deus, nada de ficar numa corda bamba, se bandeando para um lado e para o outro. O amor é ter certeza. Se há incerteza, não é amor.

O amor é iminente. As veze dissimulado. Ele chega furtivamente, com ênfase e vai embora. Parti sem se despedir, sem se importar com os estragos. Mas passa. Tudo passa.

Francamente, o amor é tudo.

Esvaziar o copo e se sentir bem numa noite, é ótimo. Mas quem te garante que ao abrir os olhos de manhã, tudo estará bem?
Me importo muito para ainda escrever sobre esse tal de amor, que morre na primeira semana para uns e dura anos para outros. 

Nos tornamos céticos quando alguém nos fere bem naquele lugar que guardamos um tesouro precioso: o amor.


Sussurrava todas as manhãs no seu ouvido, minhas poesias que escrevia durante as noites olhando seu semblante impassível, dormindo ao lado da minha escrivaninha. Torcia para que o barulho da máquina de escrever não te tirasse dos teus sonhos.

Dizia ''O amor é o verso mais belo de uma poesia, é a melodia perfeita de uma vida. Garanto que será o farol que iluminará todos os meus dias, e nos dias turbulentos será minha maresia.''
E você acordava quando eu dizia as últimas palavras, com aquele sorriso radiante que competia com a luz do sol que invadia a nossa janela.

E quando tudo acabou e as poesias não se faziam mais presentes ao amanhecer, achei que a bebida e a fumaça do cigarro fossem eficazes para acabar com aquela solidão. Uma solidão feita de grades e não de apenas um vazio. Não há nenhuma estratégia engenhosa para abrir essa jaula maldita e fugir desse sentimento avassalador que me destrói. Por isso bebi. Bebi para esquecer. Mas o efeito da bebida passava no dia seguinte.

Somos insanos quando estamos querendo fugir deste sentimento. Naquele momento achava que estava ficando louca, que a paranoia tinha se formado em mim, mas ela sempre estivera ali calada e solitária, só precisou de uma brecha para fugir. E está fugindo aos poucos neste texto.


Um comentário:

Gustavo Henrique disse...

Lindo! *-* só pra variar... ♥